Encontro

30.8.16



Num dia como hoje, os dois estavam lá, na entrada do quarto – de pé –, em transe de frente um para o outro, os nomes não importam, eles estavam apenas concentrados numa conversa visual promovida pelo desejo de se amarem loucamente. Naquele mesmo quarto, as paredes ainda sussurravam baixinho todos os segredos que lhes foi contado no último encontro – O aroma da lembrança, navegava espalhando uma leve brisa que denunciava a façanha que cometeram naquela maravilhosa noite – a noite em que eles personificaram o prazer, em que se encontraram tal como hoje, pela última vez, antes de mais uma despedida.
 Ele a puxou para si. A mão direita percorreu o rosto dela acariciando-o, sentindo a textura daquela pele da cor do café. Encostou os seus lábios nos dela, anunciando o tão desejoso beijo. As duas línguas, quentes, dançavam uma valsa deliciosa... Maliciosa. Ela desabotoou a camisa dele, deixando que as suas mãos atrapalhadas, se perdessem acariciando aquele peito liso – fazia pequenas pausas nos contornos da costela para sentir a textura. A respiração dos dois estava cada vez mais acelerada, estavam extasiados, loucos, embriagados de paixão. A blusa de seda que ela vestia, foi parar ao chão como um toque de magia, ele tocou os seios dela que rapidamente enrijeceram e, como se fossem algum instrumento, tirou gemidos dela, a cada toque ao mesmo tempo em que depositava beijos quentes e húmidos na curvatura do seu pescoço. “Tu és tão bonita” Repetia vezes sem conta. O corpo dela arrepiava em cada contacto com os lábios. Estava enlouquecida. Sentia-se feliz, nostálgica... O perfume dele era o mesmo – não havia mudado desde o encontro passado – Ainda era aquele aroma exótico de flores silvestres que de tão natural, parecia que já se ter fundido ao corpo.
 Ela abriu a braguilha dele e passou a mão em cima do bóxer deslizando para cima e para baixo fazendo com que o seu membro enrijecesse, sentindo a sua erecção. Ele gemeu alto quando a outra mão passou pelos seus testículos. “Céus, amor!” Foi a deixa perfeita, para ela se ajoelhar e puxar o bóxer para baixo– Ele afastou as pernas, e ela ajeitou-se – “Estás tão pronto, tão...”
Ela não quis esperar mais, já não havia tempo, o desejo era urgente e impossível de controlar. Abocanhou ligeiramente a ponta do pénis e rodopiou a língua para provocá-lo. “Aah bebe!” Ele gritou. A respiração descompassou quando ela levou o pénis para dentro da boca, conduzindo-o de fora para dentro mantendo a mão firme a trabalhar, também. Ele agarrou o cabelo dela para trás, torcendo os fios crespos, tentava amenizar os seus movimentos. Ela não parou. Era o seu gelado favorito. Quando ele sentiu-se a vir, segurou-a pelos ombros e a levantou. “Oh, impossível controlar-me nessas condições, babe, agora é minha vez”.
 Ele a colocou ao colo e a levou até a cama. Juntou as pernas dela para tirar a calcinha e levou até ao nariz respirando através “Tu cheiras tão bem...” “Tu mais ainda. Vem, quero a tua boca aqui”. As palavras dela espalharam-se como êxtase naquele ambiente de fim de tarde, com os últimos raios a passarem pela cortina entreaberta. Atirou a calcinha para o chão e se posicionou entre as pernas dela, inclinou o corpo até a vagina e começou a chupá-la. A sua língua gulosa explorou o sexo encharcado de fluidos perdendo-se navegando a vulva e descendo até aos ânus... Ele chupava arrancando gritos estridentes de prazer. Ela contorcia-se, batia na cama, gritava, suspirava e choramingava. Pedia em suspiros para ser preenchida. Precisava ser preenchida, “Fode-me agora”.

 Em cima, ele a confortou por inteiro; os braços eram como teias, prendiam o corpo por completo, como uma aranha, tomou conta de todos os espaços disponíveis, as costas, o rabo, as coxas, e logo a invadiu, sem inibições, sem fronteiras, sem pedir licença, impulsionando o corpo para frente e para trás, lentamente.
 Os lábios dele estavam ocupados a mordiscar o pescoço dela, deleitando-se a ouvir os gemidos baixos que ela soltava a cada mordida. Embalou-se cada vez mais forte e rápido para dentro dela. Ela cheirava os cabelos dele e tentava invadir o seu ouvido com a língua murmurando obscenidades deliciosas de se ouvir. Os corpos envoltos a dança dos lençóis, exalavam odor carnal – O odor do desejo e da cumplicidade. – As mãos dela, suadas, passavam pelas costas dele enquanto lábios se mordiam violentamente. Todos os sentidos estavam aguçados, mas parecia não existir. A sincronia dos corpos, os gemidos fervorosos, a perfeição com que se entrelaçavam e o deslizar do membro dentro dela, fez com que a explosão acontecesse, o orgasmo encontrou-os – os fluidos se misturaram e o tempo parou.

Estão deitados, completamente exaustos, abraçados – desmaiados com as respirações cansadas e ofegantes. Os nomes não interessam porque o amor não tem nome próprio. Naquele momento, ele  identificava-se como saudade, querer, paixão, tesão, sedução... ORGASMO.
Amanhã cedo ela partirá, e só se voltarão a ver na próxima temporada. Mas a distância sempre pareceu pequena, porque eles têm sempre consigo o desejo de se continuarem a amar, a se desejar, a se procurar no mais profundo dos sonhos mais molhados – assim os corpos se mantêm conectados, e é uma conexão genuína… Um encontro de almas.


Foto por @PangeasGarden



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