Senhor

22.6.14



                                                                                     


     Quarta-feira, 07h30min da manhã.
   
   António correu apressadamente em direção à porta da saída casa, não querendo correr o risco de chegar atrasado ao trabalho. Abre e depara-se com um homem pronto a batê-la:

 - Bom dia, meu nome é Bernardo. O amigo teria 5 minutos para falar com o senhor?

- 5 minutos? Olhe meu caro, tenho 8 horas para falar com o senhor meu chefe. 

  Respondeu António, fechando a porta atrás dele.
Bernardo. Sua aparência de nada mais que 28 anos. Dono de um olhar triunfante, como se tivesse avistado um tesouro.

- Falo do Senhor todo poderoso, aquele que em sua omnipresença, tudo vê e tudo ouve. O nosso senhor e soberano, dono de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Insistiu Bernardo.

- Aham, pois, o Senhor... Olhe, se o senhor é tão omnipresente como disse, diga para ele ir me falando pelo caminho, pois eu estou com pressa.

- O amigo já ouviu falar do julgamento final?


- O único julgamento final que conheço, é aquele do fim do mês, onde em números, serei severamente julgado caso não esteja no meu local de trabalho daqui a 30 minutos.
Bernardo ignorou as palavras de António:

- Eu sou testemunha de tudo que o senhor fez e faz para o mundo. Quero lhe passar esse testemunho, vou ler para o amigo o livro de Apocalipse. Capitulo 1, versículo...

- Olha Senhor.. Bernardo, certo? Eu estou realmente atrasado, se não se importa, conversamos outro dia, ok?

- Eu entendo, mas antes de ir poderia dizer-me se, alguma vez, o amigo já visitou a casa do senhor.

  António franziu o sobrolho em um nítido sinal de aborrecimento.

- Meu caro, eu já visitei a casa do senhor, sim e como sempre ele nunca estava presente. Eu nunca gostei da decoração, era tudo muito velho e sem condições.  O seu empregado? Sempre disposto a receber quem aparecesse para cumprimentar o seu adorado patrão:
  
 "Entre, sente, fique a vontade, o senhor  voltará não tarda nada."  Dizia ele com as mãos exaltadas. Contava a mim e o resto das pessoas que comigo iam visitar, as estórias de sempre, dizia que éramos bem vindos;

"Ele voltará, pode ter fé. Poderá não ser hoje, talvez amanhã ou depois, mas é só ter fé que o senhor voltará."

  Ele também vivia a pedir esmolas: 

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