A Menina Dos Meus Olhos

8.3.13






 Esta moça que está a dançar na pista, e tu estás a morrer por conhecê-la, chama-se Janete, é a minha ex namorada.
Faz hoje um ano que acabei com ela. Eu traí-lhe todos os dias.
Vês estas roupas coladas ao corpo e este cabelo aplicado que ela está a usar? Costumava usar uma blusa cor-de-rosa, uma saia comprida e usava cabelo natural. Ficava linda. Não sei porque nunca lhe disse isso. Ela amava-me. Mandava mensagem de bom dia todos os dias, depois lembrava-me de estudar para as provas da faculdade. Eu sempre ignorei os estudos. Ela costumava ser a menina dos meus olhos. Fazia tudo por mim e sabes como eu retribuía? Vinha aqui festejar com os meus amigos e curtir com damas que passassem com cabelo aplicado e roupa colada ao corpo, assim, como ela está hoje.
Ela cuidava de mim todo fim da noite, mesmo que eu passasse o dia todo a ignorando… Dizia que os anjos dela iam cuidar de mim, do meu sono. Era a moça mais cola, ciumenta, insegura e estranha que eu já tinha conhecido. Eu gostava mesmo era dessas, de ir para cama em uma noite e depois dar o número telefone errado para não ter de olhar para a cara outra vez. Então eu acabei com ela; disse que ela era criança e burra por acreditar em mim, em nós. Disse que o nosso namoro era triste, disse que ela era triste. Ela chorou, implorou e depois foi embora. 
Um mês depois, eu vi uma foto dela e chorei de saudades. Três meses depois eu liguei para o telemóvel dela e ela não atendeu. Quatro meses depois, eu fui à casa dela e ela disse que estava ocupada para falar comigo. Cinco meses depois, eu não tive vontade de sair. Seis, sete e no resto do ano... senti a falta dela todos os dias. Até que os meus amigos me convenceram a vir cá, na mesma discoteca que eu ia para arrastar essas moças que não querem saber de nada a não ser delas mesmas e encontrei-a. Linda. Já não era a mesma. Os olhos delas brilhavam, mas já não daquela forma inocente. Fui falar com ela e acabamos por nos envolver no banco traseiro do meu carro. Já não era virgem. Pensei que, desta vez, eu podia tê-la nas mãos de novo, mas desta vez, para valorizá-la. Pedi o número do telemóvel novo e ela deu-mo.
Liguei no dia seguinte e uma moça qualquer atendeu: Número errado. Chorei. De saudade. Arrependimento. Receio. De saber que a moça que eu ria, se tornou a moça que ri de mim agora. Pior, a moça que era minha, agora tinha um tanto de moços a querer ser dela e ela a querer aproveitar o tempo que perdeu. Eu fiz a mulher dos meus sonhos ser o sonho de todos os homens ao seu redor. Eu a perdi. Sabes o que ela me disse depois do sexo? Que ela não era criança e nem burra de acreditar no amor que eu dizia sentir por ela.
Sabes o que dói? Vê-la dançar, a rir sem, em nenhum momento, se preocupar em olhar para aqui para ver-me a babar por ela e a chorar por nunca ter percebido o quanto ela era importante para mim, antes…
Estou arrependido. Não sei como seguirei daqui para frente. Me sinto perdido. Não consigo enxergar nada porque perdi a menina dos meus olhos.

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3 Comentários

  1. Bonito texto. Realmente só valorizamos quando perdemos. Parabéns

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  2. "Eu fiz a mulher dos meus sonhos ser o sonho de todos os homens ao seu redor. Eu a perdi." Interessante! E mais ainda o desenrolar do conto.

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  3. Eu fiz a mulher dos meus sonhos ser o sonho de todos os homens ao seu redor. Eu a perdi.". Esta frase é a conclusão de todo conto.
    Porra, tu és boa nisso!!!!
    É sempre muito emocionante ler os teus textos!pena que só consegui comentar hoje, sempre que tento o codigo captcha não entra.
    #Parabéns, Rosie.


    ---- Sergio Chipenda----

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