Todos Os Dias São: 'Dia Dos Namorados'

14.2.13




                   



Sou uma romântica incurável. Escrevo sobre amor, mas não consigo ver nada de romântico no dia dos namorados. Apetece-me fugir quando só vejo corações por todos os lados, corações esses que, na sua maioria, não significam o que deveriam significar.
Não quer dizer que não deve haver um dia especial para homenagear os namorados. Deve sim! Mas é exactamente isso, depender de datas especiais para comemorar...
Esquecemo-nos da data de aniversário de namoro, mas lembramos do dia dos namorados por ser uma data global.

Até parece que tenho algo contra o amor, ? Nada disso
Eu adoro o Amor! Até sou uma consequência do amor. E o adoro em todas as suas formas.
Vou explicar:

Às vezes, as pessoas são muito esquecidas ao ponto de necessitarem que lhes lembrem de certas coisas...
<<mostrar amor pelo(a) parceiro(a)>>, por exemplo.

Devemos namorar os nossos parceiros todos os dias; namorar com as palavras, com pensamentos, ações, com a música... Ai que já estou a lembrar-me de uma canção que ouço sempre as doze horas na Rádio Luanda, não sei quem canta, se calhar André Mingas ou algum bom cantor que já morreu. Mas é algo assim: “Mandei-lhe uma carta, em papel perfumado, mas ela, disse, NÃO.” Perdão. Desviei-me do assunto.

Estava então eu a dizer que todos adoramos namorar mas não devemos ter dias marcados para isso. Na verdade não devemos ter dias marcados para nada relativo a dar amor. Não precisamos de dias, ditos especiais, para nos lembrarmos do fundamental, do essencial da vida. Não precisamos de um dia para mostrar amor em meio de declarações que talvez nunca foram feitas em dias normais.
- Quando é amor, é involuntário mostrar. - Não necessitamos que nos digam que precisamos Gostar ou Amar alguém.
Desculpem mas isso é confuso, isto dos dias.
Somos seres vivos que vivemos, dependemos e ansiamos por Amor e ele não tem hora, dia ou mês para aparecer ou para ser comemorado ou lembrado.
Aparece sempre. Existe sempre.
Mas é triste ver que algumas relações tornaram-se dependentes do dia 14...

Criou-se uma data para lembrar os namorados, não uma data para lembrar que temos de dar Amor ao parceiro(a).
«Temos de dar»...

O dia dos namorados acaba por ser algo forçado, imposto pela sociedade do consumo onde jantar e oferecer algo ao parceiro(a) é sinal de comemoração quando tais coisas deveriam acontecer sempre.
Não é à toa que a importação de Chocolate cresce de uma forma considerável no mês de Fevereiro… Comprar uma prenda, dar uma flor, levar a jantar ou num passeio romantico para, muitas vezes, estar a pensar em outra pessoa e não naquela que está mesmo ali.
Céptica? Não Apenas realista.
Acreditem que a maioria das vezes é mais um «Aparecer» do que um prazer.
Por que não celebrar o Amor todos os dias?
O Amor constrói-se.
O Amor rega-se.
O Amor fala-se, canta-se, dança-se, escreve-se, sente-se …. VIVE-SE TODOS OS DIAS.
Sem imposições ou regras, sem medo ou razão, sem declarações facilmente copiadas e coladas em um Mural, dar mais valor ao presente dado do que à pessoa que o deu.

Sejam genuínos, façam de todos os dias, dias especiais. Sempre que quiserem, as vezes que quiserem.


Um beijo da vossa Sweet Cliché.

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3 Comentários

  1. Verdade, a cada ano esta data perde cada vez mais o valor.

    Um beijo para ti também, Sweet!

    ResponderEliminar
  2. As pessoas deixam.se levar pela sociedade que vivem e querem sempre algo igual ao do próximo e esquecem.se de fazer o seu..

    "Criou-se uma data para lembrar os namorados, não uma data para lembrar que temos de dar Amor ao parceiro(a)"

    Está tudo dito..

    ResponderEliminar
  3. A música que te fez desviar do assunto é um poema antigo do Viriato da Cruz, chamado Namoro. O meu pai tinha um CD com esta música...a capa do CD era um flamingo cor de rosa e o título era "Dino - Reconstruçã." Infelizmente o que resta deste CD é só mesmo a capa porque o disco perdeu-se há vários anos...só me resta mesmo a memória desta linda canção.

    NAMORO

    Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
    e com a letra bonita eu disse ela tinha
    um sorrir luminoso tão quente e gaiato
    como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
    espalhando diamantes na fímbria do mare dando calor ao sumo das mangas.
    sua pele macia - era sumaúma...
    Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
    tão rijo e tão doce - como o maboque...
    Seu seios laranjas - laranjas do Loge
    seus dentes... - marfim...
    Mandei-lhe uma carta
    e ela disse que não.

    Mandei-lhe um cartão
    que o Maninjo tipografou:
    "Por ti sofre o meu coração"
    Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
    E ela o canto do NÃO dobrou.

    Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
    pedindo rogando de joelhos no chão
    pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
    me desse a ventura do seu namoro...
    E ela disse que não.

    Levei à avó Chica, quimbanda de fama
    a areia da marca que o seu pé deixou
    para que fizesse um feitiço forte e seguro
    que nela nascesse um amor como o meu...
    E o feitiço falhou.

    Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
    ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
    paguei-lhe doces na calçada da Missão,
    ficamos num banco do largo da Estátua,
    afaguei-lhe as mãos...
    falei-lhe de amor... e ela disse que não.

    Andei barbado, sujo, e descalço,
    como um mona-ngamba.
    Procuraram por mim
    " - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
    E perdido me deram no morro da Samba.
    E para me distrair
    levaram-me ao baile do sô Januário
    mas ela lá estava num canto a rir
    contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário

    Tocaram uma rumba dancei com ela
    e num passo maluco voamos na sala
    qual uma estrela riscando o céu!
    E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
    Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
    pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.

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